quarta-feira, 23 de março de 2011

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Sócrates demite-se mas quer candidatar-se nas próximas eleições

Foto: Jornal da Noite (SIC)

José Sócrates, que tinha já uma audiência marcada com o Presidente da República às 19h, apresentou a sua demissão perto das 21 horas desta quarta-feira. O demissionário primeiro-ministro promete, no entanto, que continuará a lutar pelo poder e que quer fazer parte das próximas eleições, que para ele deverão ser antecipadas.

O discurso durou menos de dez minutos e Sócrates voltou a referir que o PEC 4 seria benéfico para o país, tendo medidas menos duras do que aquelas que o FMI poderia trazer para Portugal. Sócrates admite saber "bem o que isso significa" e que a imagem de Portugal ficaria negativamente conotada.

Acusando o partido da oposição, o Partido Social Democrata, Sócrates diz que este tem impaciência pelo poder. A oposição teve uma atitude que não lhe permitiu "apresentar qualquer alternativa às medidas de consolidação orçamental". Referindo que tudo o que fez foi para ajudar o país, acusa a oposição do facto de os interesses partidários estarem à frente dos interesses do país e que esses interesses chegaram ao limite na tarde desta quarta-feira, no Parlamento: "Tratou-se de bloquear o nosso país. Bastava haver diálogo". Para José Sócrates, o país perdeu e não ganhou e quem acha que a sua demissão é uma vitória sofre de "estreiteza de vistas".

Admitiu ainda que sempre teve vontade de negociar com os outros e que foi o único a fazer inúmeros apelos à responsabilidade. Desvalorizou, assim, as acusações de optimismo exagerado, dizendo que confia na força dos portugueses. Sócrates pretende candidatar-se às próximas eleições porque a decisão deve ser soberana, lamentando também que o calculismo político tenha deitado o apoio europeu por terra.

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