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segunda-feira, 12 de março de 2012

Um Plano Simples - Fazer Uma Festa


São dez da noite e a plateia do Coliseu nem está pela metade. Ainda assim, a banda Simple Plan faz a sua debut em Portugal, dez anos depois da sua estreia no mundo da música.

"Shut Up" abre as hostes com um ritmo rápido e divertido mas a banda parece não devolver a mesma energia ao público. Porém, já na terceira música, também bastante ritmada do segundo álbum lançado em 2004, o Coliseu já está mais quente e a banda já revela a sua energia em palco e a sua descontraída conversa com o público.

Apesar do enorme amor demonstrado ao público e da sua relação muito próxima com este, a verdade é que os Canadianos parecem vir demasiado tarde. Quem em 2002 tinha doze anos, agora já passou os vinte, e já não parece ligar muito aos dramas adolescentes explorados nas letras do quinteto. Num domingo à noite, a sala enche-se de raparigas que devem ter no máximo 15 anos, de mulheres acompanhadas com os namorados que foram à força e, surpreendentemente, de alguns homens, uns adolescentes, outros já perto dos 30, mas que parecem ter ido calhar na sala por puro divertimento.

E mesmo o Coliseu não estando cheio, a noite provou ter alguns momentos especiais para um simples concerto. A música "Thank You" foi alterada - o refrão foi cantado com a mudança da letra para 'Obrigado' e ainda houve uma fã sortuda, uma Mariana, que conseguiu ter os parabéns cantados pelos canadianos e pelo público. Ainda assim, aquilo que mais deve ter apanhado o público foi a conversa um tanto erótica do baixista David Desroiers e um medley que contemplou as músicas de Maroon 5, Taio Cruz e LMFAO, onde o vocalista Pierre Bouvier brindou o público feminino com o levantar da tshirt preta e a mostra dos seus abdominais definidos.

Passando por várias músicas do primeiro e do álbum mais recente, a noite acabou com a música mais esperados por todos - a balada "Perfect", tocada com uma introdução acústica, fez algumas raparigas chorarem e muitos relembrarem o que é ser adolescente e sentir-se incompreendido.

A noite assim fechou. Uma noite que ficou por um público a metade e que trouxe uma banda energética com um plano muito simples - tornar um concerto numa festa entre amigos.

sábado, 14 de maio de 2011

Aula Aberta na Academia dos Saberes

Há uns tempos, recebi um convite da minha professora de Português e Literatura dos 10º e 11º anos - prof. Emília Ralo - para estar na Academia dos Saberes da Universidade Sénior, em Loures, numa aula aberta sobre “O que lêem e escrevem os jovens de hoje”.

Na quinta-feira, dia 12, foi o dia de estarmos presentes (eu e dois colegas da mesma escola secundária) para falarmos um pouco das nossas experiências, como leitores e “escritores”, a pessoas que, agora, muitos anos depois, voltam à escola. Perguntas como O que lês? O que escreves? Quando, porquê? Quando despertaste para a leitura e para a escrita? O que contribuiu para esse interesse? e a leitura de uma produção nossa serviram de mote para a nossa exposição.

Devo dizer-vos que gostei imenso. Aquelas pessoas mostraram-se disponíveis para nos ouvirem e deram-nos uma oportunidade para provarmos que, afinal, como um deles disse, os jovens também se interessam pela cultura. Porque, sim, essa ideia feita ainda está muito carimbada nas pessoas, quanto mais não seja pela repetição insistente de frases como a juventude está perdida ou isto no meu tempo não era nada assim. Balelas, perdoem-me. Como em todas as gerações há pessoas que se mostram interessadas e outras não. Há pessoas que merecem o estímulo que lhes é dado, há outras que, por muito estimuladas que sejam, qualquer apelo será sempre infrutífero. É mesmo assim,  seja na literatura, nas artes, na política, no que for.

Foi muito agradável responder às perguntas, ver a reacção que tiveram àquilo que lhes lemos, receber todos os beijinhos no fim a as palavras entusiastas de quem via em nós um futuro mais colorido. Não que sejamos os maiores, mas talvez porque as ideias que estão formadas acerca de nós sejam bastante cinzentas. E acho que os nossos três exemplos conseguiram desmistificar um pouco isso. Pelo menos assim o espero.

Depois, tenho de revelar que fiquei encantada. Isto porque admiro verdadeiramente as pessoas como aquelas para quem falei na quinta-feira. Acho o conceito de Universidade Sénior fascinante e mais ainda fascinantes as pessoas que voltam a estudar tantos anos depois, mostrando, também, como me disse uma senhora, que as pessoas mais velhas não se interessam só pelas novelas da sic e da tvi, mas também gostam de ler, escrever, estar na internet e no facebook, confessou de sorriso aberto.

Para mim, futura jornalista, um senhor deixou um conselho: nunca inventes notícias. Há coisas a acontecer todos os dias, não é preciso inventar o que não existe. Assim o farei.

Um agradecimento a todos. Espero voltar. Quem sabe para fazer uma reportagem. Gostaria imenso e vou guardar a ideia.
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Nota: Para a semana, em princípio, vão chegar algumas fotografias.

Catarina Nunes
(podem ler o mesmo artigo e outras coisas minhas aqui)