sexta-feira, 18 de março de 2011

Internacional

Filho de Khadafi acusa Sarkozy de receber dinheiro líbio

Numa entrevista ao canal televisivo Euronews, Saif al-Islam Khadafi, o filho do líder líbio Muammar Khadafi, afirmou que a Líbia financiou a campanha eleitoral do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, em 2007 e que quer o seu dinheiro de volta.

Quando questionado sobre a sua posição em relação à França e ao Presidente Sarkozy, que no dia 10 de Março reconheceu o Conselho Nacional de Transição líbio como representante legítimo da Líbia, Saif al-Islam disse que, em primeiro lugar, Sarkozy devia devolver à Líbia o dinheiro que recebeu para a sua campanha eleitoral.

O filho de Khadafi declarou que a Líbia financiou a campanha do Presidente francês e que tem todas as informações sobre o financiamento. Saif al-Islam assumiu ainda que está “pronto para as publicar” referindo-se a “todos os detalhes, documentos e comprovativos de transferência bancária”.

“Ajudámo-lo a tornar-se Presidente para que ele ajudasse o povo líbio, mas ele desapontou-nos”, disse o filho do polémico líder líbio.

A acusação aconteceu dias depois de a França reconhecer o Conselho Nacional de Transição, que reúne opositores ao regime de Muammar Khadafi e está sediada em Bengasi, ainda em poder dos rebeldes.

Depois ter sido alvo de muitas críticas pela pouca atenção que deu às revoltas na Tunísia e no Egipto, a França tem seguido atentamente a onda de protestos levantada contra o regime líbio e foi o primeiro país a reconhecer o Conselho criado pela oposição para liderar uma transição política na Líbia, caso Khadafi entregue o poder.

As autoridades líbias declararam, logo após o anúncio francês, que vão cortar relações com a França e revelar um “grave segredo” sobre o Governo de Sarkozy.

O Presidente francês já negou as acusações de Saif al-Islam e um porta-voz do Governo também desmentiu ao jornal “Le Monde” as palavras do filho de Khadafi.

O Presidente líbio, Muammar Khadafi, acusou os países ocidentais de “conspirarem contra ele” e afirmou, na terça-feira passada, que o futuro do seu país não será mais discutido com esses países.

Saif al-Islam Khadafi afirmou também que os conflitos na Líbia acabariam “dentro de 48 horas”, visto que as forças militares do Governo têm agora vantagem no terreno, após um mês de violentos confrontos.
Chris Helgren/Reuters

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