terça-feira, 22 de março de 2011

Crónica

Ditaduras no Século super XXI?

A Líbia, o caso da Líbia, ainda não terminou. A agora intervenção internacional aprovada pela ONU está a tentar fazer com que Khadafi se renda aos rebeldes, esses tais rebeldes que, de alguma forma, representam a população que se quer ver livre de um regime ditatorial com mais de três décadas. 
No entanto, esta guerra não está a ser fácil. Enquanto na Tunísia a violência fez com que o presidente, Ben Ali, se demitisse, e no Egipto foi a mobilização social que criou uma tal força de protesto que não restou mais a Mubarak senão a rendição, na Líbia, Khadafi bate com o pé e diz não aos radicais, recusando-se a dar o poder ao povo que quer a liberdade, a igualdade entre todos e os seus direitos como cidadãos – ou seja, quer-se uma democracia na Líbia. 
Porém, o meu comentário não se foca na análise dos conflitos do Médio Oriente. O que eu questiono é a  ainda existência destes regimes ditatoriais, em que uma pessoa governa um país durante décadas e que, quando se tenta uma certa abertura do regime, estes “ditadores” ainda resistam. É que estamos numa era mais que moderna – não estamos nem numa primeira fase de descolonização nem na queda de Salazar e de Franco. Estamos numa era que, com todas as suas rápidas transformações, parece estar cada vez mais distante desse tempo que foi o século XX esplêndido em ditaduras. Apesar dos problemas económicos actuais, a democracia parece ser o melhor regime político que um país pode adoptar para governar os seus cidadãos. Nunca eu pensaria que, na Líbia, as coisas não corressem como no Egipto ou na Tunísia. Nunca eu pensaria que um ditador resistisse à voz do povo que quer mudanças. Nunca eu pensaria que a teimosia deste levaria a que a própria ONU, cuja existência se opõe a qualquer forma política que não respeite a liberdade, tivesse de intervir em qualquer país para controlar o conflito. 
Não entendo como é que ainda existem países demasiado conservadores que obrigam os seus cidadãos a certas normas que os proíbem de ser, no mais extremo, seres humanos com direitos à instrução, ao pensamento e expressão livres – com o direito a ter uma voz. Não entendo porque é que ainda há ditaduras, quando a História prova-nos que elas nunca duram muito tempo e que colocam os cidadãos em constrangimentos que quase lhes tira a sua condição humana e racional. 
Esta é uma daquelas coisas que me estranha. E vai-me continuar a estranhar que um regime ditatorial se sobreponha a uma democracia. E esta minha estranheza vai perdurar, seguramente, por exemplo, nas mãos da querida Coreia do Norte, que tanto gosta de me confundir e de me fazer estranhar estas coisas da liberdade e da igualdade dos cidadãos (se é que a Coreia tenha isso…).

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