quinta-feira, 7 de abril de 2011

Economia

BCE não exclui hipótese de novos aumentos das taxas de juro
O Banco Central Europeu (BCE) não exclui novos aumentos das taxas de juro nos próximos tempos, e mostra-se preocupado em evitar que as subidas de preços da energia e dos alimentos se transmitam ao resto da economia.

“Hoje não decidimos que este era o primeiro de uma série de aumentos” das taxas de juro directoras, disse o presidente da instituição, o francês Jean-Claude Trichet, várias vezes, à medida que aos jornalistas iam sucessivamente repetindo a questão sobre se a decisão de hoje de subir as taxas em 0,25 pontos-base seria o início de um ciclo de subidas.

No entanto, reafirmou novamente que o “único mandato principal do BCE é a estabilidade de preços” e que fará o que for necessário para que se mantenha credível o objectivo de ter a inflação em linha com um valor próximo mas abaixo de dois por cento no médio prazo.

O BCE considera que a subida das taxas de inflação no início deste ano “reflecte em grande medida preços mais elevados das mercadorias” e que “a pressão decorrente das fortes subidas dos preços da energia e alimentação é também detectável nos estádios iniciais do processo de produção”. Além disso, acha que continua a haver riscos de mais inflação a médio prazo do que antes estimado, sobretudo devido aos aumentos nos preços da energia.

Vários analistas têm apontado como provável que as taxas de juro directoras continuem a subir, para 1,75 por cento até ao final do ano.

Neste contexto, a sua principal taxa directora passou para 1,25 por cento e o conselho de governadores considera que é de “suprema importância” que a subida da inflação “não leve a efeitos de segunda ordem nos preços e salários”, dando desse modo “faça aumentar as pressões inflacionistas de fundo a médio prazo”.

Aliás, o valor que o BCE dá à estabilidade de preços e a importância que considera que tem para toda a população e todos os países que integram amoeda única é a justificação que Trichet apresenta para o aumento de juros apesar de haver países em grandes dificuldades, como Portugal.

“É do interesse de todos os membros que se mantenham as expectativas sobre a inflação em linha com o objectivos. E todos os países, sem excepção, têm interesse nisso”, afirmou quando questionado por uma jornalista, irlandesa, sobre o que dizia aos irlandeses em dificuldades sobre a subida das taxas de juro que anunciou hoje.

Além disso, argumenta que a estabilidade de preços serve sobretudo os mais pobres, que consideram que seriam as principais vítimas de grandes aumentos de preços.

Trichet reitrou ainda a recusa em aceitar que os investidores privados sejam chamados a participar nas perdas dos bancos, como pretendia o primeiro-ministro irlandês – e que o seu ministro das Finanças disse que o BCE não aceitava. “Pedimos aos decisores que pensem na confiança dos mercados, para que possam voltar o mais rápido possível”, justificou.

Paulo Miguel Madeira, PÚBLICO

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