quarta-feira, 16 de março de 2011

Internacional

Bahrein em estado de emergência

Hamad I Mohammed/Reuters
O rei do Bahrein proclamou estado de emergência no país, um dia depois da entrada de forças militares de outros países do Golfo. Estas são duas medidas para conter os protestos contra o governo, na maioria xiitas.

Num comunicado lido na televisão estatal, Hamad Ben Issa Al-Khalifa encarregou o comandante das forças armadas de “restabelecer a ordem recorrendo ao Exército, às forças de polícia, às unidades da Guarda Nacional e a “qualquer outra força que se revele necessária”. Sendo que a última referência se deverá referir aos cerca de mil soldados e aos 500 polícias enviados pelos Emirados Árabes Unidos (EAU).

As forças chegaram ao país em resposta ao pedido de auxílio feito pelo Bahrein ao Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado pelos principais países da região. O pedido foi feito na sequência dos violentos confrontos de domingo passado entre a polícia e manifestantes. O Governo já declarou que a força da CCG tem uma missão “limitada a proteger as instalações estratégicas” do país. A oposição xiita, em reposta às delcarações oficiais, repudiou o que diz ser uma “ocupação e uma declaração de guerra”.

Esta segunda-feira, os protestos voltaram a Manamá, capital do Bahrein, com milhares de manifestantes a bloquearem ruas da capital e a organizarem um protesto frente à embaixada da Arábia Saudita. Ao final do dia, a oposição contabilizava um morto em Sitra, um sector de maioria xiita a sul da capital, onde alegadamente cerca de 200 pessoas foram vítimas de um ataque de grupos armados que surgiram na zona com apoio da polícia.

Entretanto, a oposição já fez o pedido à comunidade internacional para que leve a cabo “uma intervenção urgente para proteger o povo de uma repressão dos serviços de segurança e dos militares nacionais e estrangeiros”. No comunicado, um grupo formado por sete forças políticas e sindicais apelou também aos bareinitas para manterem a “resistência pacífica” ao que considera uma ocupação estrangeira.

Os protestos, que começaram com apelos a uma reforma da Constituição, têm sido incentivados pelos xiitas, que representam a maioria da população do Bahrein. No entanto, o país é governado por uma elite sunita e o primeiro-ministro Salman Al Khalifa, tio do rei, encontra-se no poder há 40 anos. A oposição exige reformas na governação com vista a uma monarquia constitucional.

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