"Geração à rasca" vê-se grega
O Euro 2004 foi o fenómeno que nos últimos tempos mais uniu os portugueses em torno de uma causa. A verdade é que, de uma forma geral, mais ou menos, todos gostavam da selecção portuguesa e torciam para que esta vencesse. No entanto, foi necessário que aparecesse a figura de Scolari com a filosofia de “uma janela, uma bandeira” para que o apoio ganhasse contornos públicos. Aquele mês foi em Portugal o mês do futebol. Transversal em termos de idades, sexos ou origens. O português deixou de ser tímido e passou a mostrar orgulho em defender uma causa, de um modo que deixou os restantes países estrangeiros impressionados com a nossa capacidade de mobilização e organização. Tal como posteriormente um anúncio televisivo exibiu, a população portuguesa empurrou o autocarro da selecção rumo ao sucesso.
Nas últimas semanas, os jovens do nosso país perderam a vergonha. E digo isto num tom nada pejorativo. De facto, desde há muito tempo que ouvimos os jovens queixarem-se das condições de vida, num murmúrio distante e abafado pela monotonia da constatação. Embora não seja motivo de orgulho, o grupo musical Deolinda veio dar um pontapé no marasmo ao compor uma música ao velho estilo (mas nunca estilo velho) de Zeca Afonso. Intitulada “Parva que sou”, a música de intervenção social tem versos como “que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar”. O Facebook, arma de que o saudoso Zeca Afonso não dispunha, tratou do resto. Protestos foram marcados um pouco por todo o país por jovens para reivindicar o direito ao emprego, o fim da precariedade, a melhoria das condições de trabalho e o reconhecimento das qualificações. É para mim de saudar a velocidade com que o movimento se propagou. No entanto, é com pesar que percebo que é necessário uma figura pública que incite à acção. Se é verdade que a História nos diz que as grandes figuras surgem em momentos cruciais, parece-me que no caso português todos relegamos a tarefa para o vizinho do 3º Esquerdo ou do 7º Frente.
Os próximos tempos serão, certamente, uma forma de aferirmos os jovens portugueses e a sua capacidade de acção. O que começou como um conjunto de versos pode tornar-se num tubo de ensaio para o futuro de Portugal. Se o protesto não passar de moda, pode deixar de ser uma moda termos uma “Geração à Rasca”. O pontapé de saída de um novo Euro 2004 está dado, tornando-se uma oportunidade única para reescrever o final. Talvez esta seja a oportunidade em que a união dos portugueses sirva para nos deixarmos de ver gregos, à rasca ou qualquer outro sinónimo que se utilize para descrever a difícil situação de Portugal.
O Euro 2004 foi o fenómeno que nos últimos tempos mais uniu os portugueses em torno de uma causa. A verdade é que, de uma forma geral, mais ou menos, todos gostavam da selecção portuguesa e torciam para que esta vencesse. No entanto, foi necessário que aparecesse a figura de Scolari com a filosofia de “uma janela, uma bandeira” para que o apoio ganhasse contornos públicos. Aquele mês foi em Portugal o mês do futebol. Transversal em termos de idades, sexos ou origens. O português deixou de ser tímido e passou a mostrar orgulho em defender uma causa, de um modo que deixou os restantes países estrangeiros impressionados com a nossa capacidade de mobilização e organização. Tal como posteriormente um anúncio televisivo exibiu, a população portuguesa empurrou o autocarro da selecção rumo ao sucesso.
Nas últimas semanas, os jovens do nosso país perderam a vergonha. E digo isto num tom nada pejorativo. De facto, desde há muito tempo que ouvimos os jovens queixarem-se das condições de vida, num murmúrio distante e abafado pela monotonia da constatação. Embora não seja motivo de orgulho, o grupo musical Deolinda veio dar um pontapé no marasmo ao compor uma música ao velho estilo (mas nunca estilo velho) de Zeca Afonso. Intitulada “Parva que sou”, a música de intervenção social tem versos como “que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar”. O Facebook, arma de que o saudoso Zeca Afonso não dispunha, tratou do resto. Protestos foram marcados um pouco por todo o país por jovens para reivindicar o direito ao emprego, o fim da precariedade, a melhoria das condições de trabalho e o reconhecimento das qualificações. É para mim de saudar a velocidade com que o movimento se propagou. No entanto, é com pesar que percebo que é necessário uma figura pública que incite à acção. Se é verdade que a História nos diz que as grandes figuras surgem em momentos cruciais, parece-me que no caso português todos relegamos a tarefa para o vizinho do 3º Esquerdo ou do 7º Frente.
Os próximos tempos serão, certamente, uma forma de aferirmos os jovens portugueses e a sua capacidade de acção. O que começou como um conjunto de versos pode tornar-se num tubo de ensaio para o futuro de Portugal. Se o protesto não passar de moda, pode deixar de ser uma moda termos uma “Geração à Rasca”. O pontapé de saída de um novo Euro 2004 está dado, tornando-se uma oportunidade única para reescrever o final. Talvez esta seja a oportunidade em que a união dos portugueses sirva para nos deixarmos de ver gregos, à rasca ou qualquer outro sinónimo que se utilize para descrever a difícil situação de Portugal.
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